Julgamento do pastor americano Brunson na Turquia

Um pastor americano que está a ser julgado na Turquia negou as acusações de que auxilia uma organização terrorista, em um caso que tem afetado as relações Turquia-EUA.

Andrew Brunson é acusado de ajudar um grupo liderado por Fethullah Gülen, um exilado pregador muçulmano que as autoridades turcas alegam estar por trás de um golpe fracassado em 2016.

O Sr. Brunson, que dirigia uma igreja evangélica na cidade turca de Izmir, foi preso em outubro de 2016. Se condenado, ele enfrenta até 35 anos na prisão.

Brunson, 50 anos, que é um pastor evangélico originário da Carolina do Norte, compareceu ao tribunal nesta segunda-feira na cidade de Aliaga para o primeiro dia de julgamento. Também no tribunal estavam Sam Brownback, o embaixador dos Estados Unidos para assuntos de liberdades religiosas, e o senador norte-americano Thom Tillis.

O advogado de Brunson, Cem Halavurt, chamou as acusações de “totalmente infundadas”, dizendo que elas são baseadas em testemunhos de informantes secretos. Ele disse à agência de notícias AFP antes da audiência que seu cliente estava “nervoso, mas também animado porque é a primeira vez que ele comparecerá perante um juiz. Ele tem expectativas e esperança”.

Os promotores dizem que Brunson trabalhava para um grupo liderado por Gulen, que está exilado na Pensilvânia nos EUA, bem como com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

A Turquia classifica a rede de Gulen e o PKK como grupos terroristas e acusou Gulen de fomentar uma tentativa de golpe militar no país em 2016, na qual pelo menos 250 pessoas morreram.

Gulen nega qualquer envolvimento na tentativa de golpe, e a União Européia disse que não compartilha da opinião da Turquia de que sua rede é uma organização terrorista.

O Sr. Brunson, que vive na Turquia por 23 anos, servindo como pastor da Igreja da Ressurreição de Izmir, estava entre os que foram presos por uma enorme repressão do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, após o golpe fracassado. Mais de 50 mil pessoas foram presas durante a operação, assim como 100 mil funcionários do Estado foram demitidos e jornais e emissoras de TV foram fechadas.

A Turquia inicialmente acusou o pastor de ser membro da rede de Gulen e do PKK, mas aparentemente ajustou as acusações antes do julgamento, acusando-o de trabalhar em nome dos grupos.

Relações tensas

As relações entre a Turquia e Estados Unidos já estavam tensas por causa do apoio americano às milícias curdas na Síria, que tem sido alvo de forças turcas. A Turquia pediu formalmente a extradição de Gulen, mas os EUA dizem que não foram apresentadas provas suficientes para respaldar o pedido.

Em setembro, Erdogan apresentou a proposta de uma troca de Brunson por Gulen, mas a ideia foi rejeitada pelas autoridades dos EUA, que tem pressionado a Turquia a libertar o pastor.

De acordo com CeCe Heil, conselheiro e sênior executivo do grupo cristão norte-americano Centro Americano de Direito e Justiça, Brunson perdeu 50 quilos durante sua detenção e que tem sido impedido de ter reuniões privadas com seu advogado.

A filha de Brunson, Jacqueline Furnari, disse a uma comissão dos Estados Unidos que está investigando a repressão na Turquia que havia adiado seu casamento por causa da ausência de seu pai. “Ainda estou esperando que meu pai me acompanhe pelo corredor e ainda estou esperando pela dança entre pai e filha”, disse ela.

O julgamento continua…

 

Fonte: BBC > 16 de Abril 2018

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